A Greve e as Manifestações

Sim, com letra grande. A Esquerda, além de tratar as revoluções pelo nome próprio (Abril, Maio, etc), escreve a palavra Greve com G maiúsculo.

Para os que desdenham a Greve Geral de hoje, os que se perguntam o que é uma Greve e para que serve. A Greve é o instrumento de luta laboral, sendo inclusive aquele cuja legitimidade não deixa margem para dúvidas: está consagrado constitucionalmente o direito à Greve. A Greve surgiu como uma forma de equilibrar as partes em confronto no plano laboral. Os empregadores tinham a faca e o queijo na mão, estando os trabalhadores numa posição bastante inferior. Deste modo, a Lei atribui o direito de Greve como um meio de equilíbrio, um meio de os trabalhadores poderem reivindicar a melhoria das suas condições sem represálias. Há subordinação do trabalhador ao empregador no contrato de trabalho, mas não há subjugação.

Adiante, para os que acusam os grevistas de não quererem trabalhar, defendendo que a Greve não serve, nem nunca serviu para nada (sim, o pessoal da pança cheia, mas sobre isso falamos depois): quanto ao passado, acho que todas as conquistas dos trabalhadores desde o século XIX respondem a essa pergunta. O descanso semanal, a diminuição das horas de trabalho, o aumento dos salários, etc, são tudo conquistas dos trabalhadores (a muito custo). Quanto ao presente, posso dar muitos exemplos, mas quero destacar três, em Portugal. Os trabalhadores da TAP conseguiram nos últimos anos inúmeras conquistas. A CP é um outro exemplo flagrante. Deve ser a empresa que faz mais greves e sempre com sucesso, sucesso esse que chega a ser demais (“picas” a ganhar 2000€, enfim…). Por último, o exemplo dos professores que arrumaram a um canto o modelo de avaliação que o Governo Sócrates queria impor. Chega? No estrangeiro, basta relembrar a razão pela qual o Porto de Nova Iorque não vê uma Greve há anos sem fim. Nas negociações, basta a simples menção da palavra “Greve” para que os Sindicatos consigam cedências por parte dos empregadores. São exemplos de sucesso adquirido pela Greve, que devem servir de exemplo. Nesta altura em que o Governo Passos já nos enfiou pelo dito cujo acima postes de electricidade que davam para iluminar a 2ª Circular inteira, é importante o recurso a esta forma de luta laboral para dizer Basta! O Povo está cansado de pagar as asneiras dos governantes! A malta não tem dinheiro e continua a ser enrabada! Chega!

Os que criticam a Greve inserem-se em dois grupos: por um lado, temos a malta da pança cheia, na qual se inserem os “comentadeiros” da nossa praça, todos os que criticam do alto do pedestal esta gente, que pensa pela sua cabeça e pelo seu bolso vazio. Por outro lado, temos o chamado corno manso, aquele que não se importa, o que podia ser privado do ordenado inteiro que ainda assim achava justo e criticava quem se insurgisse.

Ao contrário do que já li, as manifestações não são anti-democráticas (sim, li isto e nem vou referir o nome da personagem), são a prova viva da democracia, é o pôr em prática uma consciência cívica que começa a rarear neste mundo tecnocrata em que vivemos. Sim, o sistema está doente e bem doente. Mas não é a democracia que está doente, é esta partidocracia que nos governa, que nos sufoca, que não responde ao Povo, que se serve em vez de servir. Especialmente entre nós, os mais jovens, somos os mais sufocados por esta partidocracia que nos despreza, pelos gatos gordos que chegam lá acima através do “lambe-botismo” e depois olha cá para baixo com desdém. Esses são os piores. A minha geração não quer ser igual aos gatos gordos. Apenas quer uma oportunidade, uma oportunidade que surja cá (precisamos de emigrar para ter sucesso), uma oportunidade de demonstrar que podem ser melhores do que os incompetentes dos chefes e que merecem ser justamente remunerados por isso. Uma oportunidade de chegar lá por mérito e não a lamber as botas dos mais velhos. Só isso.

Por último queria referir aquela que para mim é a pior crítica que se pode fazer às manifestações (sim, já deixei a Greve): que são organizadas por pessoal que não sabe o que quer, que não aponta soluções nem alternativas. É um enorme preconceito. As pessoas querem fazer parte da solução, por isso é que se manifestam, se não quisessem fazer parte da solução não se mexiam. Percebam que não são as pessoas que têm que se aproximar deste sistema doente, é o sistema que supostamente existe para nos servir, é o sistema que tem que se aproximar do Povo. Só podemos demonstrar a nossa indignação desta forma, demonstrar a indignação perante aqueles 200 e tal tipos pagos a peso de ouro para, esses sim, pensarem nas alternativas.

A luta continua!

 


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