Nulo Para Nulidades

Já lá vão uns dias é verdade, mas não pude deixar de comentar esta bela notícia  que encontrei no “blog” dos alunos do liberalismo.

75 mil votos nulos a pedir desde Futre a Salazar, ou a insultar as várias listas que concorreram às legislativas, num espécie de sinfonia de gozo e descontentamento que , consciente ou não, deixou claro a mensagem: “votar sim, nestes é que não!”.

Ao contrário da abstenção que considero um tremendo acto de irresponsabilidade cívica, de passar um cheque em branco a estas forças políticas negras, ou até mesmo do voto em branco, que poderia ter o mesmo efeito do voto em nulo caso não ganhasse cores partidárias. Mas porque votar em nulo? Não é igualmente irresponsável?

O dever cívico é votar, a forma mais basilar da democracia de exprimir a vontade do todo, que ao contrário de manifestações ideologicamente vazias, estes podem realmente ser utilizados apenas como advertência a futuros movimentos sérios que poderão surgir. Não contribui para estagnar a economia, não causa atrasos matinais (CP, a sério, já chega), não corta vias públicas e melhor do que tudo não enche o ego de “wannabes-ché-guevara” , cujos actos de distúrbio público costumam ser seguidos de inércia, justificada por já se ter feito algo. É a forma mais simples de dizer que nenhum actualmente serve, preparar o terreno para que aqueles que sejam capazes e que estejam dispostos a conduzir uma governação com medidas concretas e empenho, de estadistas e não apenas de políticos, de mérito e não de compadrio.

Não vejo porque é irresponsável relembrar à classe política de que a sua fachada e incompetência têm limites, que os cidadãos não irão perpetuar esta hereditariedade de governos PS e PSD, nem subscrever irrealismos ridículos de esquerda vermelha ou revivalismos medievais da direita conservadora. Irresponsabilidade para com Portugal é recear mudança e ceder ao conformismo de escolher o menor dos males, prolongar a monarquia do meio. Mas eu relembro-vos a todos que receiam a “revolução”, só há uma certeza no centro… que entre o punho fechado ou os  dois dedos, quem leva no rabo são sempre os portugueses.


2 responses to “Nulo Para Nulidades

  • Bruno Moreira

    indulgencias, muito bom post😉

    gostei particularmente da tua questão em relação aos votos nulos de 75 mil pessoas e à sua respectiva “irresponsabilidade”. Penso que a questão está no respeito pelo processo democrático dessas mesmas pessoas. Por um lado, a abstenção é para quem se está a cagar para a democracia enquanto fundamento de uma sociedade; por outro, quem participa nas eleições (ora vote num dos candidatos, ora mostre o seu descontentamento particular com o elenco de personagens cómicas), mostra algum respeito e alguma “responsabilidade” para com o Estado.

    Os votos brancos são realmente uma forma passiva de demonstração do descontentamento em relação ao funcionamento do sistema. Mas não percebo porque é que os votos nulos não possam ser também eles um veículo da palavra do eleitor. Não é obrigatório conformares-te com as linhas orientadoras dos partidos (ou dos Micro-Pequenos-e-Médios-Partidos) existentes, acho que isso é das coisas mais simpáticas que a democracia nos trouxe.

    “Não vejo porque é irresponsável relembrar à classe política de que a sua fachada e incompetência têm limites”. Tens razão, e para tal, porque não usar de todas as ferramentas a que temos direito no processo eleitoral? É certo que mensagens como “Filho da P*ta” anotadas num caderno de voto não funcionam tão bem como um mural político…mas quem tiver 2 dedos de testa apercebe-se de que a culpa é da classe política. Essa sim, precisa de dar algumas provas de RESPONSABILIDADE, se quiser reverter a situação antes que chegue o Dia do Juízo Final.

  • Rodrigo Vaz

    Muito bom post, Bernardo e muito bom comentário, Bruno.

    Não sei com quem é que possa concordar mais, mas (talvez por não ter ficado completamente esclarecido em relação à tua posição, Bernardo, quanto ao voto nulo) inclino-me mais para a posição do Bruno: o voto nulo é um sinal de responsabilidade. De querer saber. É só uma mensagem de que os grandes partidos, sobretudo – mas também os pequenos, se não o voto dessas pessoas teria sido para lá encaminhado – servem.

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