A Candidatura Segura

Já se sabia, mas a partir de agora é oficial: Seguro é mesmo candidato à liderança do PS. São vários os aspectos que vale a pena referir, tanto em relação à candidatura como o modo e o timing desta. A saber:

– Seguro, como é sabido, foi construindo a sua rede de apoios muito antes de qualquer outro candidato, suportando-se principalmente ao nível das concelhias do PS. Seguro é o candidato da máquina, do aparelho. Seria demasiado qualificá-lo de apparatchik, mas a haver um candidato da estrutura, é com certeza António José Seguro.

– Ainda mais que um candidato da máquina, é um candidato da ala mais centrista do PS. Seguro é o senhor “esquerda moderna”, esse espaço cinzento que logo no primeiro texto deste blog tive oportunidade de denunciar. Seguro é aliás, o mais perto de Sócrates. Pelo menos do Sócrates de 2005 a 2008, não do Sócrates esquece-Blair-relembra-Roosevelt que renasceu das cinzas em 2009. Em resumo: o discurso-tipo de Seguro é um discurso…seguro (sim, mais tarde ou mais esta piada tinha de ser feita, anda na cabeça de todos). Competitividade, economia, onde-será-que-eu-já-ouvi-isto. O discurso dos valores vem da ala esquerda. Ou não? Talvez não só. Seguro sabe que, depois de Sócrates, o PS quer virar à esquerda, onde pertence. É daí que vêm as referências do discurso de hoje aos valores – “o PS não deixará de defender os seus valores e a sua matriz ideológica.” Com o centro e o aparelho garantidos, Seguro pisca o olho à esquerda.

– Não deixa, ainda assim, de ser curioso o modo como Seguro geriu (o anúncio d)a sua candidatura. Ainda no Domingo, mesmo quando os mais ferrenhos seguidores de Sócrates, como Vitalino Canas ou Silva Pereira, discutiam uma possível derrota em frente às câmaras, António José Seguro fez questão de sublinhar – e não disse mais nada a não ser isso – que estava no Altis para ouvir o discurso do seu líder. Disse-o repetidamente quando lhe perguntaram, bem mais que uma vez, não se, mas quando ia apresentar a sua candidatura.

– O dia foi hoje, quinta-feira, 9 de Junho de 2011. Curioso é que tenha deixado Francisco Assis tomar a iniciativa e ser o primeiro a apresentar-se. Talvez por saber que, se em vez de Assis, fosse António Costa a candidatar-se, a sua vitória era muito menos Segura (não é que queira abusar da piada, mas acho que aqui fica bem). Mas sobretudo porque não quer repetir o erro de Pedro Passos Coelho: sim, é certo, PPC ganhou as eleições no último Domingo, mas da primeira vez que se apresentou a líder do PSD, foi acusado de falta de lealdade ao líder (o que era, aliás, prato forte no PSD de então, longe do poder) e não foi eleito nessa ocasião Presidente dos sociais-democratas devido em grande parte a isso. Mas Seguro é, apesar disso, muito semelhante a Passos Coelho – aliás, tal como Sócrates: é relativamente novo, apresentável, …mas, ao contrário de Sócrates, mas como PPC, é terrivelmente enfadonho. Passos foi melhorando essa característica, mas Seguro continua há anos com a mesma garra e a mesma dose de carisma – infelizmente, são as duas do tamanho de um iPod. Nano.

About Rodrigo Vaz

My life is pretty much like my hair. It's a mess and I know it could be a lot better. I just don't know how. Ver todos os artigos de Rodrigo Vaz

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