Porque é que um socialista quer (em parte) que o PS não ganhe as eleições

Enquanto adepto de uma esquerda moderada que concilie liberdades colectivas com direitos individuais, não me resta nenhum outro partido ao qual aderir que não o PS. Ainda assim, não dormiria pior na noite das eleições, se o PS não as ganhasse. Porquê?

Bastante simples: renovação. Grupos de reflexão interna, de debate, de discussão, só são criados, regra geral, quando os partidos estão na oposição. Uma vez no poder, os partidos (e isto acontece tanto à esquerda como à direita) tendem a seguir muito mais o líder em vez de ousar apresentar soluções diferentes. A única excepção é o caso americano – Obama que o diga. Mas regra geral, é na oposição que os partidos “pensam mais”. Faz sentido aliás – na oposição, impõe-se um rumo novo. Uma vez no poder, a questão prende-se sobretudo por seguir esse rumo.

O segundo aspecto prende-se com a renovação dos quadros dos partidos. Este tópico está profundamente ligado ao anterior – o que considero, aliás, razão suficiente para desejar (em parte) uma derrota do PS. Se o PS perdesse, o líder demitir-se-ia e a sua nomenclatura suceder-lhe-ia (na demissão, espero). É isto que me leva a concordar com os vários socialistas que vêem a saída de Sócrates como um momento de “purificação” interna – de facto, não tenho dúvidas nenhumas que a saída do actual secretário-geral irá conduzir a uma renovação interna, senão mesmo – e assim o espero – a um voltar às raízes tão desejado. Surgiriam inevitavelmente novos rostos, novas ideias. É o grande ciclo da vida dos partidos.

Claro que há muitos militantes do PS que não querem isto. Alguns não o querem sobretudo não porque vêm o PS como sendo o melhor partido actualmente (por melhor leia-se com um projecto mais sólido, com uma ideologia forte e um líder de confiança), mas porque todos os outros são piores. Outros, no entanto – e é aqui que o problema reside – não querem que o PS seja derrotado por um sem número de razões, mas que se cruzam sobretudo pelo medo de perderam postos. É por aqui que concluímos que, talvez mais que nunca haja uma diferença tão acentuada entre um ‘militante do PS’ e um ‘socialista’*.

* Se não houvesse um partido direita (hoje neo-liberal) que tivesse raptado a expressão “social-democrata”, seria esse o termo que usaria.

About Rodrigo Vaz

My life is pretty much like my hair. It's a mess and I know it could be a lot better. I just don't know how. Ver todos os artigos de Rodrigo Vaz

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