Líbia: Crónicas de uma Guerra Civil Não-Declarada

Há uns dias, na primeira reacção pública da família de Kadafi (já vi o nome dele escrito de mil e uma maneiras, vai assim aqui), o seu filho Saif dizia que a Líbia estava à beira da guerra civil. Este pronunciamento foi considerado pela maior parte dos comentadores como uma ameaça de banhos de sangue aos protestantes.

Errado. Aquilo não foi nem uma ameaça nem um aviso nem nada do que se parecesse com o hipotético. Era já um facto.

Veja-se o estado actual da Líbia: o país está dividido em dois com forças de ambos os lados a lutarem pelo controlo da parte do país que não está sob o seu domínio. As forças armadas dividem-se nas lealdades e as populações civis idem. Mais impressionante ainda: a oposição, incluindo as forças militares a si afectas, estão a organizar-se para marchar sobre e, essencialmente, conquistar Tripoli.

Quem é que queremos enganar?, já não estamos a falar de uma revolta, isto é claramente uma guerra civil que se está a desenvolver a um ritmo alucinante.

Mas então por que é que a Guerra Civil é assim tão temida que, apesar de ser bastante óbvia na Líbia, ninguém se atreve a dizer o seu nome (parece que estamos a falar de Voldemort até)? Parece que, subconscientemente, somos todos filhos de Hobbes ao pensar que a Guerra Civil é não só o pior tipo de guerra mas também o Estado Natureza mais selvagem e brutal que há. Tenho notícias para todos: guerra é guerra, e não é por serem da mesma ou de diferentes nacionalidades que as coisas ficam melhores ou piores. Qualquer guerra (e não falo de escaramuças) acaba num banho de sangue e esta guerra civil na Líbia não é, como já é de conhecimento geral, uma excepção. Infelizmente, é bem provável que vá continuar a sê-lo até Kadafi e a sua família desaparecerem, de uma maneira ou de outra.

Para quem quiser perceber o que se está a passar na Líbia, ficam aqui dois links:

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-12564104

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-12558066

P.S.: Acabo de ver uma notícia da Associated Press em que é referido que um minarete de uma mesquita foi destruído à conta das forças leais ao regime. Isto irá decerto inflamar ainda mais os ânimos dos protestantes – uma coisa é disparar sobre manifestantes, outra é disparar sobre Deus. E claro, não esquecer a Al-Qaeda que se poderá envolver na questão toda e dificultar ainda mais o processo. Se para Kadafi ou se para os protestantes, ainda veremos.

Ainda se pensa que é uma revolta? Com locais sagrados a serem bombardeados e aviões militares a serem utilizados?

 

Pedro Costa


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