Educação/Vocação I

“Vais para Ciência Política porquê?” “Porque gosto”. “És doido!…”

De facto, até sou. Seja como for, há algo profundamente errado na nossa sociedade: a dicotomia educação/vocação.

Talvez no resto do Mundo, mas sobretudo em Portugal, (quase) ninguém segue aquilo que mais gosta. Seguimos ou aquilo que dá emprego, ou está na moda, ou o que já é tradição de família. Consequentemente ou não, num país onde todos seguem o que ‘tem saída’, o que dá emprego, continuamos todos à procura dele.

Não seguimos o que gostamos mais, aquilo em nos sentimos com mais apetência. No fundo, não seguimos a nossa vocação (ou o que lhe quiserem chamar). Porquê?

A razão principal prende-se com a falta de empreendedorismo e ambição do português. Ninguém se quer destacar, pensar out of the box, inovar, renovar. Ninguém quer sair de um pelotão de 10 milhões e avançar, chegar-se à frente.

Por causa disso, o português não faz aquilo em que é melhor, aonde pode render mais. Nos anos 90, foi engenheiro, no início da década foi informático, hoje é economista, amanhã trabalha no campo da energia. E provavelmente, mais que não se sentir realizado, não dá o melhor em nenhuma destas áreas. Não por talvez não se esforçar. Simplesmente porque só pode dar o melhor numa certa área se de facto for aí que é melhor.

Constatamos então que ninguém segue um sonho.

Não fazemos o que somos. Em Portugal, somos o que fazemos.

 

Rodrigo Vaz

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My life is pretty much like my hair. It's a mess and I know it could be a lot better. I just don't know how. Ver todos os artigos de Rodrigo Vaz

2 responses to “Educação/Vocação I

  • mmfr

    Concordo inteiramente com o autor. Já não era sem tempo acordar-se para a realidade que o importante é o que se faz com paixão, é aí que a ousadia se manifesta e o sonho se realiza. E quem não gostaria de trabalhar com paixão? todos certamente, mas a primeira «traição» começa logo na hora das opções, escrutinando o mercado em vez da vocação acaba por receber pagamento em frustração. Por outro lado, seguir a paixão pode ser arriscado, podemos ser impulsionados para a descoberta de territórios inexplorados, viver a embriaguês da aventura, da autenticidade, nunca se sabe o que vai dar… enquanto um emprego «certinho» pode ser a garantia do pão…Poder pode, mas é uma lenta agonia pela vida fora.

  • Bruno Moreira

    É verdade que a falta de empreendedorismo pode levar o português a confortavelmente se sentar à sombra de um projecto educativo estável que lhe garanta uma remuneração minimamente humana, podendo até rejeitar a sua vocação. No entanto, não fechemos os olhos à falta de previsões e segurança que o mundo do trabalho nos apresenta…se seguir um interessantíssimo curso de Filosofia, que perspectivas de emprego terei eu? Provavelmente, e contra a minha vontade, só poderei seguir a carreira de docente no ensino secundário, porque sou obrigado a não exercer o que realmente estudei uma pequena grande parte da minha vida por não haver oferta de trabalho. E esta miserável condição leva a uma frustração muito prejudicial a todo o sistema educativo…porque, tal como as lojas em liquidação total que não valoriza os seus artigos na sua totalidade, o mercado de trabalho está a escoar pessoas para os cargos de professor ou instrutor, que irão transmitir uma mensagem a outras pessoas que delas dependem para alargarem as suas vocações. E obviamente que há uma pequena possibilidade de essas pessoas, colocando a folha branca (a sua inteligência) de quem quer ser ensinado nas mãos de um professor que não gosta de ensinar, serem confrontados com uns rabiscos injustos e indecifráveis de quem não tem paciência para “putos”.

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