O Vazio Político Português I

Apropriando-me um pouco do que o Rodrigo (thefarewell) disse, este país vive numa era em que se assiste a ausência de ideias inovadoras ou pelo menos de propostas sólidas por parte dos partidos nacionais. Não, não me refiro apenas á esquerda mas sim a todo o aglomerado partidário de Portugal que carece de um programa completo e que tenha como objectivo responder aos vários problemas da sociedade no seu todo.

Deparamo-nos com uma triste realidade em que os grupos de interesses dominam esta “oh! tão livre e maravilhosa” democracia. Qualquer um dos partidos presentes na Assembleia quer seja o BE, o PP, o PS, o PCP, PSD ou os Verdes, apenas favorecem grupos específicos da sociedade e nunca conseguem ser abrangentes o suficiente para que as suas promessas se traduzam em programas eficazes que satisfaçam a todos. De certo, como já referiu o Rodrigo, quando se fala em esquerda, especialmente no bloco ou nos comunistas, materializa-se nas nossas cabeças um eleitorado maioritariamente composto por membros da classe baixa ou média baixa ou jovens com uma vontade insaciável de querem pertencer a grupos contestatários e revolucionários sem saberem muito bem onde se estão a meter. Ora o mesmo se aplica aos nossos amigos eleitores dos conversadores populares, compostos por classe alta e média alta ou de uma massa popular menos abastada que receia uma sociedade onde a tradição e moral está cada vez menos presente. Isto para não falar dos lobbies por detrás de cada um destes partidos mas isso será sempre inevitável. Por fim, temos os partidos com aquele título mágico que traz uma paz de espírito a qualquer eleitor que quer cumprir o seu dever cívico mas sem tomar grandes posições, os de centro. Independentemente dos escândalos e da corrupção perpétua, estes dispõem da maioria dos votos pelo simples facto de que por serem de centro e mais “moderados”. Para quem não sabe bem onde votar, joga-se pelo seguro no “centro”.

Haveria inúmeros factores a referir, pois o próprio eleitorado tem muitas culpas no cartório, no entanto após ter exposto boa parte da situação actual, parece-me óbvio que por mais que tentemos apoiar este ou aquele partido pois satisfaz os nossos interesses, dificilmente encontramos algum partido que tem em vista o bem estar e desenvolvimento de uma esmagadora maioria da sociedade. Não existe nenhum partido neste pais que possuía uma ideologia que se possa aplicar a todos, ou pelo menos a quase todos, por termos na esquerda um pólo importante mas meramente de luta ideológica e na direita propostas económicas presentes e eficazes, mas que põem de parte o bem estar de certos sectores da sociedade portuguesa (para não falar do “cinto de castidade moral”). Tanto o PS como o PSD, denominados de centro ou da direita e esquerda moderada, da auto-proclamada social-democracia, apenas perpetuam a farsa e telenovela política, sempre vitoriosos nas eleições e provavelmente a rir-se da estupidez geral. Mal referi os verdes, pois apesar de achar a causa nobre considero que “partidos de  assunto único” não nos servem de nada, visto que são bastante deficitários no que toca a medidas referentes a assuntos que não a sua derradeira causa.

É imperativo contestar, mas para além de apontar problemas, criar soluções e por mais que seja saudável existir oposição, não podemos permitir que a política de um país tenha como alicerce um conjunto de grupos que polarizam interesses, uns mais abrangentes que outros, mas cujas tentativas de delinearem medidas sólidas são nulas (quanto mais cumpri-las!). Não deve haver apenas o partido dos verdes, todos devem ter preocupações ecológicas e ambientais; não faz sentido promover políticas que apenas favorecem os mais ricos ou que destroem esforços de várias gerações para constituir riqueza a fim de criar uma igualdade artificial e subsidiar a ausência de mérito.

Termino esta longa entrada no blog com um apelo a todos aqueles cuja palavra cidadania ainda lhes diz alguma coisa, se queremos uma coisa bem feita teremos que ser nós mesmos a faze-la e é claro que é muito mais fácil juntarmo-nos a uma juventude partidária já existente e decorar a ideologia toda, do que discutir ideias novas e construir algo não necessariamente perfeito, mas melhor do que o actual; para além de respostas estamos acima de tudo á espera de criatividade e perspicácia; questionar e resolver em vez de papaguear e ser aplaudido pelo truque.

 

Bernardo Almeida


One response to “O Vazio Político Português I

  • thefarewell

    Concordo contigo na maior parte dos aspectos que referes. De facto, hoje, não só em Portugal, mas por toda a Europa, os partidos não conseguem apresentar propostas que correspondam a novos paradigmas de governo e governação. Novos modelos. Já aconteceu no passado. Hoje, contudo, os partidos (no caso português, os partidos de poder e os de tribuna) ‘martelam nas mesmas teclas’: o caso do PCP é o mais evidente, mas é perfeitamente possível ouvir um discurso de um líder e identificar imediatamente a que partido pertence. E obviamente que não estou a pensar em identificá-lo devido ao timbre da voz.

    O mais triste, porém, é que não atribuímos um discurso a um partido por causa do conteúdo, mas da forma. Não é por transparecer desse discurso uma ideologia que o ligamos a um determinado partido, mas pela utilização de um jargão formal que, sem trazer nada de novo, todos os partidos têm. E enquanto isto continuar, só formalmente os partidos serão de facto representativos da sociedade.

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